domingo, 4 de dezembro de 2016

Orgulho – A Pílula Venenosa (Max Lucado)

O Rei Nabucodonosor não tinha igual. Ele foi o governante incontestável do mundo do século 6 A.C. Babilônia, a cidade dele, aparecia nas planícies do deserto como Manhattan no horizonte. Os Jardins Suspensos da Babilônia, que a lenda diz ele construiu para a esposa, foram uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. O palácio real dele era imenso. As muralhas eram de mais de 115 metros de altura e com espessura de 26 metros. Quatro carruagens lado a lado podiam andar nelas. O poderoso rio Eufrates passava pela cidade. A população da cidade chegou a dois milhões de habitantes. A cidade tinha templos, terraços e palácios. Tudo isso ficou sob o domínio de 43 anos de Nabucodonosor. Ele era parte barão de petróleo, parte realeza, parte bilionário especulador. Se ele estivesse vivo hoje, ele dominaria a lista de bilionários da revista Forbes.
Mas tudo isso estava prestes a acabar. O profeta Daniel o alertou:
“Tu serás expulso do meio dos homens e viverás com os animais selvagens; comerás capim como os bois e te molharás com o orvalho do céu. Passarão sete tempos até que admitas que o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer.” (Daniel 4:25 NVI)
O que foi que Nabucodonosor fez que mereceu tamanha derrota? Qual o crime de Nabucodonosor? O rei foi aflito com o mais antigo e mais enganador das mentiras: orgulho. Ele pensou que ele reinava. Ele pensou que a Babilônia reinava. Ele pensou que seu reinado dominava o mundo.
O Rei Nabucodonosor era tudo sobre o Rei Nabucodonosor. Daniel foi enviado para alertá-lo: quando os grandes caem, a queda é grande. Será que Nabucodonosor escutou?
“Doze meses depois, quando o rei estava andando no terraço do palácio real da Babilônia, disse: ‘Acaso não é esta a grande Babilônia que eu construí como capital do meu reino, com o meu enorme poder e para a glória da minha majestade’?” (Daniel 4:29-30)
A disciplina de Deus foi drástica e veloz. Enquanto Nabucodonosor ainda se gabava ele virou uma versão antiga de Howard Hughes, com unhas como garras e cabelos e pelos longos. Um minuto ele era a capa da revista Times, e no próximo ele era banido como a besta da Babilônia. E ficamos com uma lição.
Deus odeia orgulho.
O Senhor detesta os orgulhosos de coração. (Provérbios 16:5 NVI)
Odeio o orgulho e a arrogância, o mau comportamento e o falar perverso. (Provérbios 8:13)
Por que a linguagem tão forte? Como é que explicamos o aborrecimento de Deus com os altivos de coração? Simples. Deus odeia orgulho porque ele ama seu povo. O orgulho é a pílula envenenada da alma.
O orgulho impede e salvação. Se nós só vemos a nós mesmos, nunca veremos o nosso Salvador. A arrogância endurece o joelho para que não se ajoelhe, endurece o coração para que não se admita o pecado. O coração orgulhoso nunca confessa, nunca se arrepende, nunca pede perdão. O orgulho é o arrecife escondido que naufraga o navio da alma.
O orgulho impede a reconciliação. Quantos casamentos sucumbiram debaixo do peso de orgulho insensato. Quantos pedidos de desculpas deixaram de ser oferecidos, devido à falta de humildade? Quantas guerras nasceram no ventre da arrogância?
O orgulho enlouqueceu Nabucodonosor. E fará o mesmo conosco. Não é de se admirar então, que Deus odeia o orgulho.
Na mesma proporção que Deus odeia a arrogância, ele ama a humildade. “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes.” (1 Pedro 5:5 NVI)
Eu testemunhei um exemplo desta humildade no último mês de Outubro (2015). Eu me juntei com Michael W. Smith para um fim de semana de ministério. Mas Michael mal conseguia falar sobre o retiro. Ele ficou tão emocionado por uma experiência. Ele havia acabado de se encontrar com Billy Graham com o propósito de planejar o velório do Reverendo Graham. O famoso evangelista tinha, na época, 94 anos. Ele era confinado a uma cadeira de rodas e respirava por um tubo com oxigênio. A mente dele estava ativa e seu espírito em alta. Mas o corpo dele estava vendo seus últimos dias. Então ele chamou Michael. E ele chamou o pastor dele. Ele queria conversar sobre o velório dele. Ele disse que tinha um pedido.
“Claro”, disseram. “O que o senhor quiser. O que é?”
“Vocês poderiam não mencionar o meu nome?”
“O quê?”
“Poderiam não mencionar o meu nome? Só falar no nome de Jesus.”
Billy Graham já pregou para mais de um bilhão de pessoas. Ele já encheu estádios em todos os continentes. Ele já aconselhou todos os presidentes do último meio século. Ele tem permanecido no topo das listas de mais admirados. No entanto, ele não quer ser mencionado em seu próprio velório.
Será que Deus pode ficar tão grande que finalmente enxergamos quão pequeno somos?
Aqueles que andam em orgulho, Deus pode humilhar. Mas aqueles que andam em humildade, Deus pode usar.
O Rei Nabucodonosor aprendeu sua lição. Levou sete anos, mas ele entendeu o recado. As palavras que ele falou são dignas de um epitáfio: “(Deus) tem poder para humilhar aqueles que vivem com arrogância.” (Daniel 4:37)
Há uma lição moderna para a história de Nabucodonosor. Vivemos em dias quando as pessoas se acham muito. Alguns já tornaram a autopromoção numa arte. O apóstolo nos alertou que isso ocorreria. “Nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes… ” (2 Timóteo 3:1-2 NVI ênfase minha).
Que a história de Nabucodonosor nos lembra: Deus controla os reinados humanos e Ele é conhecido por humilhar um líder orgulhoso. Perca esta mensagem e prepare-se para cair. Receba esta mensagem e prepare-se para ser abençoado.
Tradução por Dennis Downing
Em Inglês: “Pride – The Poison Pill”
© Max Lucado, 2016
http://www.maxlucado.com.br/reflexao-semanal/orgulho-pilula-venenosa/

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