quarta-feira, 26 de abril de 2017

Estresse no local do trabalho

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RISCOS PSICOSSOCIAIS:

Os fatores do local de trabalho que podem causar estresse são chamados de riscos psicossociais, enfatizando a interação dinâmica entre o meio ambiente de trabalho e os fatores humanos. Podem estar relacionados ao individuo, à sociedade e às organizações, interagindo entre si.

Quando a interação entre o meio ambiente do trabalho e o homem ocorre de forma negativa, pode levar a distúrbios emocionais, problemas de comportamento, alterações bioquímicas e neuro-hormonal, apresentando riscos adicionais à saúde mental ou física. De outro lado, quando as condições de trabalho e fatores humanos estão em equilíbrio, o trabalho cria uma sensação de domínio e auto-confiança, aumenta a motivação, capacidade e satisfação de trabalho e melhora a saúde.

Em toda a história do mundo do trabalho, os fatores de riscos pssicossociais estiveram presentes, mas seu reconhecimento só recentemente passou a ser considerado como perigo relacionado à saúde no trabalho (EU- OSHA 2007 e ILO 2010).

Segundo o relatório da OIT em estudo, Cox identificou dez tipos de características estressantes de trabalho (riscos psicossociais), que são divididos em dois grupos: conteúdo do trabalho e contexto do trabalho[7].

O conteúdo do trabalho refere-se a riscos psicossociais relacionados às condições de trabalho e organização do trabalho, com meio ambiente do trabalho com equipamentos sem manutenção adequada, trabalho repetitivo, excesso de pressão e de jornada. Tanto a carga de trabalho quantitativa (a quantidade de trabalho a ser feito) quanto a carga de trabalho qualitativa (a dificuldade de trabalho) têm sido associados com o estresse.

A carga de trabalho tem de ser considerada em relação à velocidade com que o trabalho tem de ser concluída, os ciclos de trabalho curtos, e a natureza e o controle dos requisitos de estimulação, o conteúdo do trabalho (ou o projeto de tarefas) incluindo vários aspectos que são perigosos, como o baixo valor do trabalho, baixo uso de habilidades, falta de variedade de tarefas e repetitividade no trabalho, a incerteza (falta de retorno de desempenho ou a incerteza sobre o comportamento desejável), a falta de oportunidade de aprender, exigência de alto nível de atenção, as demandas conflitantes e recursos insuficientes.

O segundo grupo, contexto do trabalho, diz respeito a riscos psicossociais na organização do trabalho e relações de trabalho, como a cultura organizacional, papel dos empregados na empresa, desenvolvimento de carreira, e a relação do trabalho em casa com as relações interpessoais no trabalho. Se os aspectos de cultura e função organizacional são deficientes na execução de tarefas e na resolução de problemas, há uma associação com o aumento dos níveis de estresse.

Um equilíbrio adequado entre trabalho e vida privada pode ser difícil de alcançar, sobretudo quando o trabalhador labora em sobrejornada, com trabalho irregulares, aumento de metas e intensificação do ritmo do trabalho, em razão do uso da tecnologia e de sistemas informatizados, notadamente no trabalho em casa. As relações sociais dentro e fora o local de trabalho moderam a tensão estabelecida, enquanto a falta de suporte do empregador acentua a exposição a outros riscos psicossociais.

O adoecimento psíquico é algo mais difícil de perceber por se tratar de um problema pouco visível, não mensurável e multicausal. Todavia, o empregador pode preveni-lo com a adoção de certas medidas, como atribuir prazos razoáveis, suporte dos supervisores aos trabalhadores, abertura para que trabalhadores apresentem demandas conflitantes entre trabalho e casa, motivação, desenvolvimento de competências e habilidades, treinamento, transparência dos procedimentos de trabalho e participação ativa na tomada de decisões.

A longo prazo, mesmo pequenas quantidades de autonomia na execução de tarefas são benéficas para a saúde mental e produtividade dos trabalhadores, desenvolvendo um trabalho por aptidão e não por adestramento, reduzindo o número de adoecimentos. A padronizaçao não é boa para o homem e não será para o homem quando atua no papel de trabalhador.

Para reverter essas situações de estresse relacionado ao trabalho, a OIT nos convida a pensar de forma coletiva nas condições de trabalho, considerando a organização do trabalho e os planos de carreira, com ênfase na satisfação no trabalho como formas de alcançar um meio ambiente do trabalho sadio e adequado.
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Leia a íntegra do artigo no link indicado na referência abaixo:

GONDIM, Andrea da Rocha Carvalho. Estresse no local do trabalho e o direito à saúde do trabalhador. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 22, n. 5046, 25 abr. 2017. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/57130>. Acesso em: 26 abr. 2017.

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