quarta-feira, 5 de abril de 2017

Independente do mérito, o povo tem que se manifestar nas ruas, mas votar certo é uma necessidade mais relevante


Publicado por José Herval Sampaio Júnior

O que adianta se manifestar se na hora do voto não se leva em consideração o que se reclamou nas ruas?

Quando vamos mudar a charge que identifica o presente texto?

Brasil afora, diversas manifestações organizadas por movimentos sociais e sindicais vem ocorrendo. Motivo? É o que não falta! Como se não bastasse a crise política ocasionada pelo conturbado processo de impeachment da presidente Dilma Roussef, a crise econômica e o número crescente de desempregados, a crise institucional entre os Poderes e a crise social e moral que vivenciamos com os diversos escândalos de corrupção, o governo Temer tem agravado ainda mais a situação do brasileiro com as propostas de reforma nos mais variados setores.

Mesmo sem fazer juízo de valor preciso e técnico sobre cada uma das propostas, além do que já dissemos sobre a questão da terceirização aprovada e já questionada no STF e aqui tratada sobre o aspecto da politicagem, entendemos que o povo tem o direito de se manifestar e na realidade deve fazê-lo quando julgar oportuno, contudo o mais importante é a partir do que reputa não ser o correto, votar de forma diferente quando tiver nova oportunidade. Ousaremos fazer pequenas observações.

Certo que o país necessita urgentemente de mudanças. Mas não será prejudicando o trabalhador brasileiro para favorecer os grandes empresários, que a situação irá mudar. Alheio e indiferente às manifestações e à fala do povo, Temer aprovou na noite da última sexta, 31 de março, a lei da terceirização irrestrita, uma vez que até então a terceirização só poderia ser realizada em atividades-meio, nunca em atividades-fim. O governante tem que ouvir o povo e isso tem de ser sempre considerado.

Coincidentemente, também na última sexta, foi divulgada pesquisa Ibope, encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) que revelou que quase 80% da população não confia no Presidente. É um número que, além de causar perplexidade, causa preocupação e temor.

Como, em uma República, em um Estado Democrático de Direito, onde o povo é o verdadeiro dono do poder e tem meios pra fazer valer suas reais vontades, se permite ser chefiado por quem não confia?

Para se ter uma noção do quão grave é a situação basta compararmos o país à uma empresa. Você, cidadão, sendo um empresário, colocaria para gerenciar seu negócio uma pessoa em quem não confia, em que não acredita ser capaz de geri-la, em quem não acredita que vai trabalhar em prol do empreendimento ou quem não tem habilidades para negociar o seu capital e seus lucros? Ou pior, quem você desconfiasse que poderia estar desfalcando seu caixa?

Pois bem, nós somos empresários, sim. E nossa grande empresa é o país! Nós investimos nela (pagamos impostos altíssimos) e merecemos receber o lucro esperado (nossas necessidades e interesses efetivados).

Além da alteração legislativa supracitada, o Executivo Federal também propõe a reforma previdenciária que modifica substancialmente a vida do trabalhador. O projeto fixa a idade mínima de 65, tanto para homens como para mulheres, para poder requerer aposentadoria e aumenta em dez anos o tempo mínimo de contribuição: sai de 15 anos para 25 anos.

Outra pauta de reivindicação é a reforma política, a oposição ao foro privilegiado; à anistia a crimes cometidos por políticos, ao aumento do financiamento público de campanha; e à adoção de listas fechadas na eleição para deputados.

Por conta de todo esse pacote de reformas a população tem se manifestado, ainda que timidamente, muitas vezes. Pessoas vão às ruas vestidas com as cores do país, cantam o hino nacional, levam cartazes e defendem o juiz Sérgio Moro, que hoje é considerado por muitos como a cara da luta contra a corrupção.

Nessa perspectiva, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro – ITS Rio, solicitaram no último dia 30, quinta-feira, à Casa Legislativa do RJ, que regulamentasse a coleta de assinaturas eletrônicas para propostas de leis de iniciativa popular, garantindo assim a segurança na certificação e auditoria das assinaturas.

O cofundador do MCCE e advogado, Márlon Reis afirmou que: “É muito importante que a Câmara dos Deputados expressamente reconheça a validade de mecanismos como esse, que tornam mais efetiva a participação cívica do cidadão. Estamos tratando da consolidação da cidadania do Século XXI”.

Pelo que vemos e vivemos, motivos não faltam para a população se manifestar. Precisamos defender o Brasil de todos que atentem contra ele. Más escolhas custam caro, principalmente na hora do voto. Portanto, nas próximas eleições lembre que é importante se levantar contra aquilo que nos prejudica, mas o mais importante é votar em quem realmente trabalha pelo povo e pelo Brasil.

Por isso, acompanhe seus candidatos, fiquem de olhos nas escolhas, nos posicionamentos, nos votos e nos projetos dele. Votar, fiscalizar, cobrar e se manifestar, é mais que um direito, é dever de todo cidadão e não podemos continuar só exigindo nossos direitos e não fazermos o nosso dever de casa como se diz.

Como cobrar tudo que julgamos ter direito se não cumprirmos os nossos deveres?

O Brasil nunca vai mudar se não formos vigilantes quanto à cobrança de posicionamentos republicanos de nossos políticos. De um modo geral, eles não nos levam a sério porque quase nunca levamos em consideração o que ele fez ou deixou de fazer durante o mandato, já que na hora do voto, outros fatores fazem com que a gente se esqueça e continue votando naqueles políticos que muito mais se preocupem com seus interesses do que o do povo.

Portanto, mesmo destacando a importância das manifestações que ainda continuam ocorrendo, e independente do acerto do mérito das mesmas e até mesmo a quantidade de pessoas atualmente nas ruas em relação às manifestações contra o governo deposto, entendemos que a sua continuidade é importante, porém não podemos deixar de votar com responsabilidade justamente considerando o que não concordamos nas manifestações.

Manifestações sempre serão importantes, mas votar certo e com consciência é bem mais produtivo em termos de satisfação das necessidades coletivas que o povo tanto aspira e espera ansioso ver realizadas na prática.

Que possamos junto com essa série de manifestações contra a “cara de pau” de muitos políticos, dar a resposta mais eficiente a todos eles, um pontapé sem retorno em suas pretensões escusas e pessoais e isso só pode e deve ser feito pelo voto, a expressão mais legítima do poder do povo!

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