terça-feira, 27 de junho de 2017

Como estudar para resolver provas discursivas

Publicado por Gerson Aragão

Atualmente, praticamente todas as provas de concurso vêm com uma prova discursiva (redação, estudo de caso ou elaboração de peça judicial/parecer/sentença). Sendo assim, é preciso dedicar parte do seu tempo para um estudo direcionado a esse tipo de prova. Vejamos algumas dicas importantes:

1) Material de estudo

Geralmente, os livros, apostilas, resumos e sinopses que o candidato utiliza quando de seus estudos para prova objetiva são também úteis para demonstrar, na prova discursiva, que o candidato tem conhecimento e conteúdo que o qualificam a obter o cargo público almejado.

No entanto, pode haver algumas particularidades. Por exemplo: uso de conteúdo gerado pelo examinador da banca, o que é mais comum em concursos para carreiras jurídicas (juiz, membro do MP, defensor público, delegado e advogado público). Se, por exemplo, sabe-se que o examinador em Direito Constitucional tem predileção sobre o tema “Poder Legislativo”, é óbvio que, além de estudar mais sobre isso, é muito importante ler livros, artigos e/ou petições, pareceres ou sentenças/acórdãos elaborados pelo examinador.

2) Caligrafia e organização do texto

Não adianta escrever um texto de excelente conteúdo se sua letra é ilegível. E não dá pra argumentar que “minha mãe entende minha letra”! Seja autocrítico, mas também ouça a opinião de outros colegas e professores. Peça que sejam sinceros: eles estariam dispostos a ler até o final as 30, 60, 150 linhas que você escreveu?

Não há nenhum demérito em voltar à livraria e comprar o bom e velho caderno de pauta dupla que você usou nos tempos de alfabetização – ou de primeiro ano do ensino fundamental, se você já é precoce no mundo concurseiro, hehe!

Veja que letras suas são incompreensíveis, se escreve com uma “fonte” muito grande ou pequena, muito ou pouco espaçada/inclinada. Corrija o que for necessário. Se necessário, opte por letra de forma, diferenciando maiúsculas de minúsculas.

Um texto que agrada, de cara, o examinador é aquele em que ele não tem de “decifrar garranchos”. Além disso, uma boa organização do texto, com paragrafação correta, pingos nos “is” e acentos gráficos bem vistos facilitam o trabalho dele e podem lhe render bons pontos.

Quanto às rasuras, em regra não se permite borrá-las. Basta um traço como esse: exemplo. Depois, continue a escrever.

Agora vejamos duas ótimas dicas dadas pelo Prof. Gerson Aragão nesse vídeo:

3) Objetividade na resposta

Não adianta muito floreio – o examinador gosta de objetividade e assertividade na resposta dada pelo candidato. Por exemplo, no enunciado “o que é X?”, pode-se até fazer uma breve introdução antes de ir pro cerne da questão, mas não seria interessante também dizer logo “X é isso” e depois partir pra sua abordagem histórica, de classificações etc?

Isso é importante até porque muitas vezes usam-se várias linhas para tratar de um subtópico, quando, na verdade, o tópico que pontuava mais foi tratado em duas ou três linhas, de forma que o candidato não obtém a pontuação cheia do item mais importante.

Nesse sentido, estude considerando o chamado “espelho de resposta” – analise quantos pontos se destinam a aspectos introdutórios, de fundamentação e conclusão.

4) Fundamentação da resposta

Além da objetividade, o examinador aprecia que o candidato, mesmo que em poucas linhas, fundamente sua resposta com base na lei, na doutrina e na jurisprudência.

Exemplo: na pergunta “o que é X?”, responde-se: “X, segundo a doutrina majoritária é isso. Porém, o entendimento consolidado pelo STF na súmula 000 vai em sentido contrário, concluindo que X é aquilo”. Mesmo que seu examinador queira que você siga o entendimento majoritário ou minoritário, é importante mencionar a outra conclusão – isso destaca o conhecimento do candidato.

Busque sempre mencionar, se tiver acesso ao vade mecum, em que artigo ou súmula o tema é mencionado. Em regra, não é bem vista a transcrição literal do texto. Diga com suas palavras. Ex. “segundo o art. 000, do CPC, X é isso”.

5) Atenção às regras gramaticais

Mesmo que o conhecimento de ortografia, semântica e sintaxe não seja o foco principal da correção da prova, ela sempre será relevante. O corretor não ficará feliz ao vê-lo escrever “essessão” em vez de “exceção” ou “a moça sentou na mesa” ao invés de “a moça sentou à mesa”.

6) Treino simulado

Faça treinos simulados de redação, considerando a mesma quantidade de tempo e a permissão/vedação à consulta de legislação.

Evite escrever o texto integralmente e depois repassá-lo à folha de resposta, seja na simulação, seja na prova real. Isso tomará bastante tempo e você poderá ter a ingrata noção de ser reprovado por falta de tempo na transcrição.

Na folha de rascunho, liste os tópicos a serem abordados, já procurando eventuais menções à lei, à jurisprudência e à doutrina.

Ex: X – conceito no art. 000, do CPC – doutrina diverge (Nery Jr x Didier) – STF segue corrente majoritária (vide súmula 000).

Depois disso, parta para a redação, com calma, prestando atenção à pontuação, paragrafação e outros elementos estéticos e gramáticos. Se possível, separe sua resposta por tópicos e subtópicos. Ex. I – Dos Fatos; II – Do Direito; II.1 – Das Preliminares; II.2 – Do Mérito; III – Do Pedido.

Faça seus treinos utilizando provas passadas da banca e do cargo desejado, bem como participando de cursos presenciais, telepresenciais ou online específicos para a carreira almejada. “curso de 2ª fase para o MP do Estado tal”; “curso de redação para analista e técnico de TRT” etc.

Caso ainda tenha alguma dúvida ou queira partilhar sua experiência com os estudos para prova discursiva, comente aqui embaixo!

Gerson Aragão - Atualmente Defensor Público no Estado de Sergipe, Ex-Defensor Público no Estado da Bahia. Especialista em Direito Constitucional e Processo Penal. Cursou MBA pela FGV e Coaching pelo IBC. Autor do Livro Entendendo a Jurisprudência do Supremo. Participa dos Projetos: Aplicativos Jurídicos para iPhone e iPad, Método de Aprovação e Quiz Dizer o Direito. Mais informações no site www.metododeaprovacao.com.br

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