domingo, 13 de agosto de 2017

Drogas e por que os irmãos mais velhos devem dar bom exemplo

Se você tem uma irmã ou irmão mais novo, provavelmente já ouviu de seus pais que você deveria dar um bom exemplo. E quase todo mundo – inclusive muito psicólogos – acredita que isso também se aplica ao mundo dos vícios: se o irmão mais velho bebe, fuma ou se droga, há uma boa possibilidade de que ele influencie o irmão mais novo a também beber, fumar ou se drogar.

Pois bem, 
esse estudo conduzido por Joseph Altonji, Sarah Cattan e Iain Ware, das universidades de Yale, Chicago e da consultoria Bain & Co., respectivamente, jogam uma luz inicial no problema. Mas para entender a solução primeiro é necessário entender a diferença entre correlação e causalidade.

Correlação é quando duas coisas ocorrem paralelas. Por exemplo, se seu irmão tem fisionomia oriental, você provavelmente tem fisionomia oriental. As duas coisas (sua aparência e a aparência de seu irmão) estão correlacionadas. Mas isso não quer dizer que uma causa a outra. Não é o fato de você ser oriental que faz com que seu irmão seja oriental. São duas coisas que tende a acontecer juntas (correlatas) mas que não impactam uma na outra (causal). É o fato de vocês terem ao menos um dos pais com fisionomia oriental que influenciou sua aparência. Logo, sua filiação, essa sim, é uma relação de causalidade: sua aparência é influenciada pela aparência de seus progenitores.

Pois bem, os três pesquisadores chegam a duas conclusões importantes:

Primeiro, que há, sim, uma correlação entre uso de substâncias nocivas entre irmãos. Se o irmão mais velho fumo, há uma maior probabilidade de o irmão mais novo também fumar. Mas é o fato de o irmão mais velho usar essa uma substância nociva que leva o mais novo a usa-la também? Ou são outros fatores, como a educação dada pelos pais, o local onde vivem, a escola que frequentam etc?

Os dados da pesquisa parecem indicar que há, sim, uma relação de causalidade. Aparentemente, irmãos mais velhos que usam substâncias nocivas para a saúde tendem a levar irmãos mais novos a também usarem substâncias nocivas. Especialmente no período imediatamente subsequente ao início do uso da substância pelo irmão mais velho. E quanto maior o consumo pelo irmão mais velho, maior a probabilidade de que o irmão mais novo também usará aquela mesma substância nociva.

Como os próprios pesquisadores apontam, esses são resultados iniciais, e certamente o irmão mais velho não é a única (e nem mesmo a principal) má influência sobre o irmão mais novo. Mas esses resultados servem como alerta para a importância da família na formulação de políticas de saúde pública.

Tolstoy, em Anna Karenina, disse que “todas as famílias felizes são iguais; mas toda família infeliz é infeliz de sua própria maneira”. Passar toda a responsabilidade pelo desenvolvimento da criança para a família é perda de tempo, mas ignorar sua importância e sua capacidade de tornar infrutífero investimentos em políticas públicas é ainda pior. O meio no qual o indivíduo está inserido tem grande influência em seu comportamento, tanto para o bem quanto para o mal. e a família tem uma importância especial. Como os próprios pesquisadores alertam, além da influência de irmãos mais velhos, a criação desses maus hábitos é “mais provável em crianças que possuem pais que não as ajudam, pais desinformados e pais que não se envolvem. Ela também é mais frequente em crianças que recebem conselhos de pessoas que não seus pais, e em crianças que não convivem com ambos os pais biológicos”.

Problemas como consumo de drogas, alcoolismo e tabagismo são problemas que precisam ser enfrentados de forma global e não apenas com medidas pontuais ou que foquem apenas no indivíduo. É fundamental o investimento em políticas de longo prazo, e trazer a família para o centro da solução do problema.


http://direito.folha.uol.com.br/em-seguranccedila/drogas-e-por-que-os-irmo-mais-velhos-devem-dar-bom-exemplo

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