Respostas esperadas
a) O usufruto testamentário é constituído
pelo testamento e, tratando-se de imóvel, torna-se oponível a terceiros com o
registro no Cartório de Registro de Imóveis. Antes do registro, há direito
entre as partes, mas não eficácia real perante terceiros.
b) Vera tem direito à posse, ao uso, à
administração e à percepção dos frutos. Pode morar, pode locar o imóvel e
receber os aluguéis, deve conservá-lo e não pode vender nem dar em garantia,
porque a propriedade não é dela, e sim dos filhos, que detêm a nua-propriedade.
c) O usufruto é temporário e se extingue com
a morte do usufrutuário; não se transmite aos herdeiros. Se o usufrutuário
fosse pessoa jurídica, o usufruto se extinguiria com a extinção da pessoa
jurídica ou, se ela perdurar, pelo decurso de trinta anos contados do início do
exercício.
d) Sem disposição testamentária, Vera poderia
invocar o direito real de habitação do art. 1.831, que assegura ao cônjuge
sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens e sem prejuízo da participação
na herança, o direito de habitar o imóvel destinado à residência da família,
desde que seja o único daquela natureza a inventariar. A jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça reconhece esse direito também ao companheiro
sobrevivente em união estável, o que deve ser mencionado. Diferença central: a
habitação é direito de morar, restrito à residência, e não permite locação nem
percepção de frutos; o usufruto é mais amplo e abrange o uso e a fruição
econômica.
Fundamentos: arts. 1.390, 1.391, 1.394, 1.410
e 1.831.
Atenção se fizeram: separação entre uso e fruição (usufrutuário) e propriedade
(nu-proprietário); registro como condição de oponibilidade; extinção pela
morte.
Erros comuns: afirmar que o usufruto pode ser
deixado em testamento para os herdeiros do usufrutuário; confundir usufruto com
direito real de habitação; dizer que Vera pode vender o imóvel porque tem “a
posse”.