domingo, 16 de agosto de 2026

Da Norma ao Ninho: a transmissão dos direitos das mulheres entre gerações

 

Habito o cruzamento da palavra e da norma. Como professora de Direito e de Língua Portuguesa, dedico meus dias a decodificar as estruturas que organizam a nossa sociedade. Aos 51 anos, contudo, compreendo que as lições mais profundas sobre cidadania não se esgotam nas salas de aula jurídicas, mas ganham corpo no cotidiano. É na condição de mãe de uma adolescente de 16 anos que a urgência dos direitos das mulheres se materializa diante de mim, exigindo um olhar que conecte o rigor dos códigos à sensibilidade da vivência.

O universo jurídico brasileiro avançou formalmente na proteção ao gênero, mas a eficácia social dessas leis é um campo de batalha diário. Quando analiso a Constituição Federal ou a Lei Maria da Penha com meus alunos, vejo a técnica. Quando olho para minha filha, vejo o futuro que precisa habitar essas garantias de forma plena e segura. Educar uma jovem de 16 anos no cenário contemporâneo é um exercício de equilibrar o alerta contra as violências estruturais e o incentivo à sua autonomia. Desejo que ela conheça seus direitos não por precisar acioná-los em um momento de dor, mas para que os exerça como prerrogativa natural de sua existência.

Sei que sou uma mulher privilegiada. Divido a vida com um esposo que é um excelente companheiro, alguém que compreende a conjugalidade sob a ótica da equidade e do respeito mútuo. No entanto, o feminismo bem instruído nos ensina que o bem-estar privado não pode nos anestesiar diante da barbárie pública. A segurança e o afeto que encontro no meu lar devem ser a regra jurídica e social para todas as mulheres, e não um bilhete premiado de loteria afetiva. O pacto civilizatório só estará completo quando o respeito de gênero não depender da "bondade" individual de um parceiro, mas for uma garantia institucional inegociável.

Escrever sobre os direitos das mulheres a partir desta maturidade é compreender que a linguagem é nossa primeira trincheira de defesa. Como educadora, sei que mudar o léxico é mudar o mundo. Ao dialogar com o Pasquim Feminista: Informativo Libertário Rosa Gomes, reforço o compromisso de usar a docência e a maternidade como atos políticos de resistência. Precisamos continuar traduzindo o Direito para que as nossas filhas não apenas leiam as leis, mas escrevam as suas próprias histórias em um mundo verdadeiramente livre do patriarcado.


Fonte: https://www.instagram.com/p/DbnxkDADmAX/?img_index=2&igsh=MXNpczJoOXppbHJ4bQ==&igsi=MXNpczJoOXppbHJ4bQ==

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